Indicação de sites e blogs sobre Sociologia no Ensino Médio


Sites (sítios),  Blogs e outros links sobre sociologia no Ensino Médio

- Colégio D. Pedro II – Departamento de Sociologia - http://www.cp2.g12.br/UAs/se/departamentos/sociologia/index.html
 
- Laboratório de Ensino de Sociologia Florestan Fernandes - http://www.labes.fe.ufrj.br/
 
- LEFIS – Laboratório interdisciplinar de ensino de Filosofia e Sociologia http://www.sed.sc.gov.br/lefis/ 

- Projeto Praxis - biblioteca virtual e rede social http://praxis.ufsc.br/
 
- Biblioteca Virtual das Ciências Sociais – Florestan Fernandes
 
- Laboratório de Ensino de Sociologia (LES) – USP - http://www.ensinosociologia.fflch.usp.br/
 
- Blog - Sociologia em Teste - http://sociologiaemteste.blogspot.com/
 
 
- Centro de referência  virtual do Professor – Minas Gerais    http://crv.educacao.mg.gov.br/sistema_crv/INDEX.ASP?ID_OBJETO=23967&ID_PAI=23967&AREA=AREA&P=T&id_projeto=27 (Procurar em cada item –Médio – Sociologia)
 
 
- Sociologia em rede - http://sociologiaemrede.ning.com/ 
 
- Blog de Sociologia do Professor Denis Wesley
 
- Blog Professores de sociologia – Ceará  http://sociologiaceara.blogspot.com/
 
- Blog - Sociologia na rede - http://www.cienciassociaisnarede.blogspot.com/
 
- Blog – Acessa sociologia - http://acessasociologia.zip.net/ 
 
- Ensino de Sociologia - http://ensinosociologia.pimentalab.net
 
- Mutirão de Sociologia - http://www.mutiraodesociologia.com.br/

- Blog – Informe e crítica - http://informecritica.blogspot.com/
- Mangue sociológico - http://manguevirtual.blogspot.com/
- Circulo brasileiro de sociologia - http://circulobrasileirodesociologia.blogspot.com/
- Ciência social Ceará - http://cienciasocialceara.blogspot.com/
- Oficina sociológica - http://oficinasociologica.blogspot.com/
- Que cazzo é esse?!! - http://quecazzo.blogspot.com/
- Associação portuguesa de sociologia - http://www.aps.pt/index.php




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Entrevista com Albamonte (PTS) sobre a concepção de estratégia de L. Trotsky

Reproduzo abaixo a entrevista com Emílio Albamonte, dirigente do Partido dos Trabalhadores Socialistas (Argentina), organização irmã da Liga Estratégia Revolucionária (Ler-qi), do Brasil, sobre o Seminário "A concepção de estratégia no marxismo de León Trotsky", realizado nos dias 18, 19, 20 e 21 de fevereiro de 2012 no Hotel Bauen (um dos estabelecimentos ocupados e geridos pelos trabalhadores na Argentina). Infelizmente, não tenho como traduzi-lo para o português, pela falta de tempo, mas, mesmo assim, vale a pena o esforço em lê-lo.

Fonte: IPS
* * *


Los días 18, 19, 20, y 21 de febrero se realizó en el salón principal del Hotel Bauen el seminario “La concepción de estrategia en el marxismo de León Trotsky” coordinado por Emilio Albamonte, del que participaron más de 200 de los principales dirigentes y cuadros del PTS de todo el país y delegaciones de la Fracción Trotskysta-Cuarta Internacional (FT-CI) del Partido de Trabajadores Revolucionarios (PTR-CcC) de Chile y de la Liga Estratégia Revolucionária (LER-QI) de Brasil. Como bibliografía de base para la discusión se tomó el libro de Trotsky Stalin, el gran organizador de derrotas. La III Internacional después de Leninde 1928, así como “Lecciones de Octubre” y “El ‘tercer período’ de los errores de la Internacional Comunista”.
Para este número de La Verdad Obrera entrevistamos a Emilio Albamonte, dirigente del PTS y de la FT-CI sobre algunos de los principales debates que atravesaron las cuatro jornadas del seminario.
LVO: El seminario comenzó con la pregunta sobre qué es el marxismo ¿nos podrías contar brevemente en que consistió este punto?
EA: Partimos de una definición analítica de qué es el marxismo a partir de cuatro componentes. Por un lado, el marxismo como “concepción del mundo”, cuyo fundamento más general es la dialéctica materialista. Es decir, la dialéctica rescatada por Marx su cautiverio idealista y vuelta hacia mundo de la materia, para la cual ni Dios, ni el Espíritu Absoluto, ni ningún demiurgo de la Historia pueden ni tienen nada que hacer. Dentro de esta concepción marxista del mundo, el materialismo histórico es la aplicación de la dialéctica materialista a la sociedad humana y su desarrollo.
Por otro lado, el marxismo es una crítica científica a la economía política y a través de ella a los fundamentos del capitalismo, cuya sistematización fundacional fue realizada por Marx en El Capital. Pero también es una crítica a la teoría política, al contrario de quienes opinan que el marxismo solo cuenta como apropiación-reproducción de filósofos anteriores como Rousseau. Contiene una crítica de la política, del derecho y del Estado burgués, que no solo atraviesa las principales obras de análisis político de Marx y Engels, sino el propio El Capital, y que posteriormente, al igual que en la crítica a la economía política fue enriquecida y desarrollada por los “marxistas clásicos” del siglo XX y muy en especial por León Trotsky con sus análisis del fascismo, la URSS, los bonapartismos sui generis en los países semicoloniales, que permiten entender gobiernos como el Cárdenas o el de Perón, etcétera.
A su vez, el marxismo es una teoría de la revolución que partiendo de las conclusiones más avanzadas de su época de surgimiento, a mediados del siglo XIX, condensa la experiencia histórica de más de 160 años de lucha de la clase obrera moderna. Una síntesis teórica de las lecciones estratégicas fundamentales de la lucha del proletariado. Y en este sentido, como decía Lenin “una guía para la acción”. Esto no significa que contenga un “manual de procedimientos” que nos señale cómo actuar en todo tiempo y lugar, sino que el conocimiento de la experiencia anterior lo que nos permite es justamente no tener que pensar todo de nuevo cada vez que nos enfrentamos a una determinada situación de la lucha de clases.
Acá llegamos a un cuarto aspecto del marxismo, que se relaciona más con el arte que con la ciencia, un arte que a diferencia de otros no actúa sobre una materia inerte sino sobre las relaciones humanas buscando la destrucción de ciertas relaciones y la construcción de otras nuevas. Nos referimos al arte de la estrategia; cómo decía Trotsky: “no puede aprenderse el arte de la táctica y la estrategia, el arte de la lucha revolucionaria, más que por la experiencia, por la crítica y la autocrítica” (“Una escuela de estrategia revolucionaria”).
Estos cuatro componentes, el marxismo como concepción del mundo, como crítica a la economía política y a la teoría política, como teoría de la experiencia del proletariado, y como arte de la estrategia, tienen para nuestra definición de marxismo una unidad inescindible. Estamos en las antípodas de lo que discutían los neokantianos que las primeras diez “Tesis sobre Feuerbach” eran científicas pero que la Tesis XI (donde Marx plantea “la transformación del mundo”) era simplemente un imperativo moral. Para nosotros el marxismo es justamente esta unidad, es una teoría de la práctica y un arte de la estrategia fundado sobre bases científicas (entendiendo esta última, desde ya, no en su estrecha y vulgar acepción positivista).
[Para le-lo na íntegra, clique no link do post]

Almeida Júnior

Um dos quadros mais belos de Almeida Júnior (1850-1899), pintor brasileiro do final do século XIX. Famoso pelo "Caipira picando fumo" de 1893, o pintor retrata de forma fabulosa e sensível a morte em a "Saudade" de 1899. Mais que isso, Almeida Júnior retratava as contradições de um rural que começava a desaparecer...

Relato sobre Pinheirinhos

Segue um relato do que eu, Lívia Moraes, e Cristina Alvares Beskow, vimos e ouvimos no terreno e um dos abrigos dos ex-moradores do Pinheirinho.
É longo, mas vale a pena exercer a paciência revolucionária aqui.


Ou ler diretamente aqui:

Como se encontram os moradores do Pinheirinho? Um relato do que vimos e ouvimos num abrigo em São José dos Campos por Lívia Moraes e Cristina Beskow

FEVEREIRO 4TH, 2012

No dia 02 de fevereiro, participamos do ato nacional em solidariedade aos moradores de Pinheirinho, em São José dos Campos, com cerca de 5 mil pessoas de diversos estados. Em seguida, fomos ao terreno do Pinheirinho, para tentar colher depoimentos. Antes mesmo de chegarmos, já vimos bombeiros cerrando pinheiros que contornam o antigo bairro. Um dos símbolos da ocupação está sendo cortado, como uma forma de apagar a história de luta das pessoas que moravam ali há quase oito anos.
Ao entrarmos, uma visão assustadora: o bairro que antes acolhia milhares de pessoas agora se encontra inteiro no chão: escombros para todos os lados, roupas, brinquedos, livros, cadernos, mochilas, computadores e eletrodomésticos espalhados e amassados em meio à lama e à poeira. Só sobraram alguns jardins muito bem cuidados. O que era um bairro cheio de vida, com pessoas conversando nas portas de casa, crianças soltando pipa e brincando de pega-pega, com comércio e vida coletiva sendo organizada socialmente, politicamente e culturalmente, tornou-se um amontoado de tijolos, uma área devastada.
Viam-se pedaços de móveis e eletroeletrônicos adesivados com os números dados pela prefeitura, com a promessa de que haveria tempo para os moradores voltarem e buscarem seus pertences. Mas, não houve tempo para a maioria deles. Alguns salvaram metade das coisas, outros não salvaram nada. Eles ainda nos explicaram que muito foi roubado, principalmente dinheiro e objetos pouco mais valiosos1.
Logo encontramos um senhor com cabelos grisalhos vasculhando os restos de sua casa. Ele pediu que não registrássemos seu nome, afinal há muitos sendo perseguidos. Sua ex-vizinha, que tem cerca de 70 anos, trabalha para a prefeitura e, depois de ter dado uma entrevista, passou a ser ameaçada de perder seu emprego. Ele nos contou bastante emocionado como sua casa era dividida, contou sobre as telhas que havia acabado de comprar. Mostrou onde havia o mercadinho, onde a esposa vendia frutas, verduras e carnes, na porta de casa. Este senhor trabalha com pintura e nos mostrou orgulhoso algumas de suas placas pintadas, que se encontravam no meio dos escombros.
Em meio ao entulho que escondia a história de vida de milhares de pessoas, ainda encontramos três gatos e três cachorros submergindo e emergindo entre os escombros, como que tentando entender o que aconteceu. É bastante plausível, já que para nós, seres humanos racionais, também está sendo muito difícil entender e assimilar esta tragédia.
Encontramos algumas pessoas visitando suas antigas casas, como quem vai ritualmente ao cemitério visitar o túmulo de alguém que amava. Elas chegam até o local e ficam em silêncio, tentando acordar do pesadelo. Mas não acontece e elas tem que enfrentar a dura realidade. Logo encontramos uma moça, com cerca de 45 anos, que também visitava sua casa. Ela nos contou que era parte da contra-tropa de choque do Pinheirinho e estava preparada para lutar até o fim. Mas, surpreendidos naquela manhã de domingo, não puderam se organizar. Ela estava fora do Pinheirinho quando os policiais chegaram e afirma ter furado o cerco para procurar seus netos. De sua casa, nada restou, a não ser concreto e tijolos quebrados.
Em meio a tudo aquilo, vimos um carro grande e moderno cujos adesivos indicam ser da empresa “Cão sem Dono”, cujo slogan é “os animais pedem justiça”2. Há informações de que a prefeitura vem gastando mais com os animais que com os seres humanos3.
Chegamos até o local onde se encontrava o barracão comunitário, onde aconteciam as reuniões e assembléias. Logo ao lado, havia um parquinho das crianças e, atrás, a igreja católica. Tudo destruído! Só ficaram os buracos no chão, onde estavam fincados os brinquedos, e os rastros do trator.
Nos pinheiros que ainda estão de pé, ainda permanecem pedaços de tecidos vermelhos rasgados. A portaria está vazia. Não sobrou nada das inúmeras bandeiras de protesto que ali flamejavam.
De lá, seguimos para um dos abrigos. Alguns ex-moradores nos explicaram que o mais problemático era o abrigo do CAIC Campo dos Alemães. Resolvemos ir nesse. Chegamos lá e havia guardas municipais logo na porta, achamos que poderíamos ser proibidos de entrar, mas passamos direto e ninguém nos parou. Levávamos uma caixa de doações (escovas de dentes, pastas de dentes, fraldas, absorventes, roupas, papel higiênico). Mal chegamos e as pessoas voaram para a caixa. Não foram nem 10 segundos para que toda a doação fosse pega.
Apesar de haver crianças brincando, a maioria tinha seus olhos vermelhos e inchados de choro, as pessoas se encolhiam em seus colchões. Ao ver a câmera filmadora, muitas eram as pessoas que queriam falar, elas sentiam muita necessidade de denunciar tudo o que aconteceu.
A maioria delas, além de indignadas com a forma como foram despejadas, de terem sido enganadas que poderiam voltar para buscar suas coisas e, no final, terem perdido tudo, reclamavam de serem tratadas como gado, como bichos, por não terem condições mínimas de higiene. Muitas diziam “somos pobres, mas não somos sujos”. As solicitações são por sabão em pó, sabão em pedra, sabonete, absorvente, fralda, calcinhas, cuecas, toalhas, pente, roupinha de bebê etc.
Eles acusam as assistentes sociais de não entregarem a totalidade das doações. Para pedir qualquer coisa, as pessoas tem que enfrentar uma fila, onde fazem o pedido do que necessitam. A assistente social escreve o pedido em uma ficha, que é usada para retirar a doação. Muitas pessoas foram expulsas de suas casas levando apenas a roupa do corpo. Por isso, as necessidades são muitas. Vimos muitos pedidos de cuecas e calcinhas, por exemplo. Como não existe uma estrutura para lavarem as roupas, muito do que se pega vira descartável.
Constatamos que havia uma pilha enorme de roupas, mas cada um tinha apenas 5 minutos para entrar e escolher as peças. Não havia tempo suficiente nem para checar os tamanhos. Absorventes e fraldas são controlados e cada pessoa tem direito a 2 unidades diárias, não podendo requerer mais. Toalha também há apenas uma para cada pessoa. Como falta produto de limpeza, eles não conseguem lavar suas roupas. “Tudo isso é muito humilhante”, disse uma senhora revoltada. Eles pedem que, ao fazer doações, que entreguem diretamente a eles, que não passe pelas mãos das assistentes sociais.
O abrigo é uma escola municipal e a maioria das pessoas está dormindo num ginásio, sem nenhuma privacidade, onde a claridade é muito grande, dificultando o sono. Além disso, há reclamações da presença de pombos que sujam o local com fezes. É neste espaço que estão mulheres grávidas, crianças e idosos, todos espalhados em colchões finos pela quadra, salas e corredores.
Os alojados dizem que a comida é de péssima qualidade e varia entre salsicha e linguiça, mal cheirosos e mal temperados. Há filas de cerca de 2 horas para terem acesso à refeição e há informações de que em outro abrigo a comida veio estragada4. Além disso, existem pessoas com problema de saúde que já foram hospitalizadas em função da comida. É o caso de uma senhora que possui diabetes e que passou mal após comer calabresa, única comida que havia disponível.
Uma senhora, com 6 filhos, conta que o carrinho de bebê virou na hora em que fugia das bombas da polícia no dia da reintegração, e que seu filho mais novo quase caiu de cabeça no chão. Seus outros dois filhos pequenos estão com a garganta doendo, desde então, por conta do gás lacrimogêneo. Seu marido está há dias procurando uma casa para morarem, mas não acha nada que caiba toda a família por menos de mil reais. Ela conta que só é possível receber o cheque do bolsa aluguel (no valor de R$ 500,00) se já tiver endereço em outro lugar. E, se pegar o cheque, não pode voltar para o abrigo. Também ouvimos outras pessoas que não estão encontrando moradia pelo valor do bolsa aluguel e não tem para onde ir.
Outro morador contou-nos que até achou um lugarzinho para morar, mas a prefeitura demorou para entregar o cheque e ele perdeu a locação. Outro morador conta que a esposa passa o dia todo na rua procurando casa, enquanto ele cuida dos 5 filhos no abrigo, mas não consegue nada de R$ 500,00. Seu patrão já havia ligado, intimando-o, dizendo que se não fosse trabalhar imediatamente, já poderia levar a carteira para “dar a baixa”. Os filhos, já matriculados nas escolas e creches, não estão conseguindo ir à aula porque o abrigo ficou muito longe da escola e o pai já recebera telefonema sendo avisado que se não levasse seus filhos, perderia o bolsa-família.
O problema fica ainda maior com o início das aulas na próxima segunda-feira, dia 06 de fevereiro, já que a escola municipal onde estão abrigados terá que ser desocupada e muitos não tem para onde ir. Há rumores de que os alojados devem ser levados para algum lugar no Limoeiro ou no Putim (outros bairros periféricos, mas bem longe dali). Pelo o que disseram, estes outros lugares são barracões, ainda mais precários que o local onde estão.
Um rapaz conta com orgulho que é pedreiro, que seus filhos são muito inteligentes e que não tiram menos de 8,0 na escola. Chama seu filho e pergunta: em que você vai trabalhar, meu filho? Ele muito timidamente responde: vou ser arquiteto. Os olhos do pai enchem de lágrima. Ele conta que tem parentes na zona rural da Bahia, mas se for para lá, seus filhos não poderão estudar.
Michele e Bia nem conseguem descrever o que aconteceu, choram sem parar e dizem: “que saudade temos do nosso Pinheirinho!” As duas perderam os empregos depois que foram despejadas. Um rapaz mostra-nos a filmagem que fez do celular na hora em que a polícia chegou, mas não tem como passar para nenhum computador, muito menos para a Internet.
Uma menina de 16 anos carrega sua filha de apenas 23 dias e conta-nos que teve uma paralisia facial de tanto nervoso que passou. Percebe-se, ao falar com ela, pelas suas dificuldades em relatar os acontecimentos com parte da boca paralisada. Sua filha tinha alguns poucos dias de vida no dia da reintegração e correu risco de ser sufocada com os gases de efeito moral.
Outro senhor, pai de uma menina com problemas psicológicos, nos mostra a lista com seus móveis que dizem estar em um depósito. Ele disse que só conseguiu pegar metade de suas coisas e tem medo de chegar ao depósito e mais coisas terem sumido. Ele conta que disseram que poderia voltar depois para buscar o resto, mas foi tudo destruído.
Dona Maria de Jesus, cerca de 75 anos, era zeladora da igreja e conta que assim que ouviu os fogos, no dia da reintegração, ficou assustada, mas achou que não era nada. Logo vieram chamá-la para que abrisse a igreja, para abrigar as crianças. Pegou a chave e saiu correndo em meio às bombas, mas chegando lá, logo às 6h00 da manhã, a igreja já havia sido demolida. Foi o primeiro lugar que derrubaram. Ela diz que não tem tempo para reconstruir a vida dela, mas tem fé que “o bispo e o papa” vão fazer algo por eles. Pelo menos conseguiu salvar a Xuxa, sua cachorrinha, diz ela.
Na saída do abrigo fomos indagados sobre a volta do CONDEPE – Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, porque muitos deles não tiveram oportunidade de dar seus depoimentos e tem muitas denúncias a fazer ainda.
Também ficamos sabendo que 14 assistentes sociais se recusaram a participar deste conjunto de atrocidades e agora estão sendo perseguidas pela prefeitura. Já denunciaram os problemas ao Conselho Regional e aguardam os procedimentos que podem ser tomados.
Além disso, durante o ato, soubemos que uma das lideranças do movimento, o Marrom, já sofreu duas tentativas de sequestro pelos policiais. Uma foi na igreja, onde estavam abrigados logo após a reintegração, e outra na madrugada do dia 02 de fevereiro, quando foi cercado por sete viaturas, mas foi ajudado por ex-moradores do Pinheirinho que se encontravam por perto e correram para ajudá-lo5.
É esta a situação em que se encontram os ex-moradores do Pinheirinho: jogados em abrigos improvisados, em condições precárias de higiene e alimentação, muitos já perderam seus empregos e suas crianças estão impedidas de ir à escola. Muitos não tem para onde ir e a bolsa aluguel de miséria não poderá lhes dar a vida de volta. Sem contar as perseguições que muitos ex-moradores estão sofrendo. Uma tragédia sem precedentes. Um crime contra milhares de pessoas que tinham suas vidas organizadas num terreno que já deveria ter sido desapropriado há muito tempo. Tudo para atender aos interesses de um criminoso chamado Naji Nahas e de toda a corja de especuladores imobiliários. Tudo com autorização do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Eduardo Cury, com uma simples canetada da juiza Márcia Loureiro. E agora, quem vai resolver o problema destas famílias? Quem vai pagar por tamanha injustiça e devolver suas vidas?

2Segundo informações do site www.caosemdono.com.br, eles afirmam que “Diante desse quadro que encontramos aqui, não nos restaram alternativas a não ser brigar pelo direito dos animais. Abrimos um BOLETIM DE OCORRÊNCIA contra a Prefeitura de São José dos Campos, acusando-a de maus-tratos. Também ingressamos no Fórum Central com uma AÇÃO CIVIL PÚBLICA e hoje estamos, neste exato momento, entrando com representação junto ao MINISTÉRIO PÚBLICO por crime ambiental”.

Estupro no BBB e machismo no Brasil


O caso de estupro ocorrido no BBB12 abriu um debate em todo país, principalmente nas redes sociais, sobre a questão da opressão à mulher. São em momentos como este que ficam escancarados o profundo machismo que permeia a sociedade brasileira.

No meu Facebook, indignado com os comentário, postei a seguinte frase:

É nojento ver gente postando/compartilhando piadas sobre o estupro ocorrido no BBB. Reproduzem, conscientes ou não, a tese machista de que a mulher é a culpada (ficou bêbada, provocou, usou poucas roupas, etc.) pela opressão e a violência que sofrem cotidianamente. Ao invés de reforçar o discurso do opressor; ao invés de ajudar a Globo e Bial se safarem de sua ridícula manobra, tentando omitir o que aconteceu; TODO MUNDO deveria se indignar e reforçar a campanha contra a violência à mulher. Mais, deveria refletir que nesse tipo de programa o estupro não deveria surpreender, já que é uma apologia ao fetichismo do corpo.

Para ajudar ao debate, indico o texto de Clarisse Menezes e Adriano Favarin, "Big Brother Brasil 2012: estupro de mulheres é sinônimo de 'amor' para Rede Globo de televisão", postado no blog da Casa de Estudos e Pesquisa Hermínio Sacchetta.

150 merendeiras terceirizadas tomaram as ruas de Campinas


150 merendeiras terceirizadas tomaram as ruas de Campinas

por Rita Frau e Francisco Pontes, professores da rede estadual, militantes da Liga Estratégia Revolucionária e da Corrente Professores Pela Base. Publicado no site da Ler-qi.

Nessa última sexta, 13 de janeiro, cerca de 150 merendeiras terceirizadas das creches e escolas municipais, estaduais e Unicamp tomaram as ruas do centro de Campinas junto a seus filhos e chamaram a atenção de quem passava com um forte ato em protesto pelo pagamento de seus salários atrasados.

A EB Alimentos é a cara da terceirização no país: a empresa esteve envolvida nos casos de corrupção da prefeitura (havia licitações em que uma caixa de ovo custava 72 reais), contratou irregularmente trabalhadoras durante todos esses anos, e veio atrasando os salários em outras ocasiões, enfrentando-se com a indignação das trabalhadoras e trabalhadores do restaurante da Unicamp no ano passado http://www.ler-qi.org/spip.php?article3133 e nesse começo de ano, assim como em Taubaté http://www.vnews.com.br/noticia.php?id=112045.

As trabalhadoras da EB mostraram que as terceirizadas não se calarão: depois de termos visto várias mobilizações de trabalhadores pelo país afora no ano de 2011, com destaque para lutas importantes de terceirizados como Jirau, USP e também em Campinas, essa já é a quarta mobilização de terceirizados em Campinas nesse começo de ano, somando-se à luta dos lixeiros, trabalhadores da manutenção urbana e terceirizados da Unicamp. As condições precárias do trabalho terceirizado que permitem os altos lucros dos empresários no Brasil vem sendo questionada nessas greves, e a luta dos trabalhadores deverá ser um fator importante nesse ano eleitoral em meio a crise política da prefeitura após a queda de 2 prefeitos em alguns meses.

As merendeiras com grande revolta e disposição de luta marcaram a concentração na porta do sindicato SINTERCAMP (Sindicato dos Trabalhadores em Refeições de Campinas e Região), sindicato que se mostrou traidor, que ao ser procurado pelas terceirizadas disse apenas para esperarem uma resposta da empresa. Sem festas no fim de ano, com contas atrasadas, filhos doentes, sem água e comida no ato para se alimentarem ou para dar às crianças presentes, com companheiras tendo ataque epilético em meio à manifestação, o que os burocratas pediam era que voltassem para casa com a cabeça baixa.

Mas as merendeiras não se intimidaram com esse aliado dos patrões da EB e perceberam sua própria força: protestaram na porta do sindicato pelego e seguiram de cabeça erguida pelas ruas do centro até o escritório da empresa EB, sediado na Rua Conceição, paralisando trânsito e cantando palavras de ordem. As terceirizadas estão sem receber seus salários desde dezembro, não receberam a cesta básica, parte das férias e receberam somente em janeiro a parcela do 13º. São 450 trabalhadoras contratadas pela EB que trabalham nas creches e escolas municipais e estaduais que se encontram nessa absurda situação. Os representantes da EB fugiram do escritório ao perceber a presença das trabalhadoras, que seguiram para a prefeitura exigindo serem recebidas por representantes do CEASA (Centrais de Abastecimento de Campinas), departamento da prefeitura que contrata a empresa EB Alimentação Escolar Ltda. É importante dizer que na prefeitura, as trabalhadoras avistaram um infiltrado em seu ato, provavelmente da EB ou do Sindicato, e que além da foto tirada pelo Jornal Palavra Operária do sujeito, as trabalhadoras mostraram como a classe operária deve se defender desse tipo de ataque: cerca de 15 trabalhadoras correram atrás do infiltrado, que se escondeu em um ônibus que foi cercado e escrachado pelas trabalhadoras que somente não lincharam pois o motorista fugiu com o veículo.

Após longa espera, em que a única coisa que aparecia era um maior efetivo de guardas municipais, as trabalhadoras foram recebidas pela prefeitura, que prometeu recontratá-las por uma nova terceirizada caso o pagamento não fosse efetivado, algo que não ocorreu até o fechamento dessa nota.

A prefeitura de Campinas e o governo do estado de São Paulo firmaram um acordo em que, no caso das escolas estaduais, a prefeitura terceiriza as merendeiras e o estado garante a merenda, e ambos “lavam suas mãos” pelas péssimas condições de trabalho e instabilidade. Muitas dessas mulheres passaram o natal sem a cesta básica, sem dinheiro para o transporte, para alimentar suas famílias e pagar as contas! Deixamos claro a todos que a responsabilidade por essa situação é do governo municipal Serafim, do governo estadual de Alckmin e do governo de Dilma, que mantém e aprofunda a terceirização nesse país.

Enquanto a grande mídia segue enganando o povo ao dizer que tudo vai bem e que o Brasil é a 6ª potência mundial, que Campinas é uma cidade de oportunidades, nós do Palavra Operária estivemos ao lado dessas lutadoras e seguiremos dizendo as reais condições de vida dos trabalhadores no capitalismo, em que vereadores recebem absurdos aumentos de 10 mil reais em seus salários, enquanto os trabalhadores e o povo seguem sofrendo com as enchentes sem moradia digna, com salários atrasados, sem estabilidade com a terceirização, com o aumento das passagem. A realidade dessas trabalhadoras é a mesma de milhares desse país que sofrem com as enchentes em Minas e no Rio, que lutam contra a especulação imobiliária como os moradores do Pinheirinho em São José dos Campos, que lutam contra condições semi-escravas de trabalho como os trabalhadores de Jirau, do Maracanã e da USP.

O trabalho das merendeiras é fundamental para o funcionamento das escolas, elas são responsáveis pela alimentação de milhares de estudantes, e na maioria das escolas estão submetidas a uma exaustiva rotina. Por isso é fundamental que defendamos seus direitos básicos como o pagamento dos salários, boas condições de trabalho, e a efetivação dessas trabalhadoras sem concurso público já que provaram no cotidiano de seus trabalhos, em alguns casos há mais de 10 anos, que são competentes para cumprir essas funções.
É fundamental que os demais funcionários, professores, alunos e familiares apóiem essa importante luta em cada escola. Estendemos também esse chamado às organizações de esquerda, os sindicatos, entidades estudantis, e o conjunto de ativistas e lutadores a apoiar essa luta.

Nós da Liga Estratégia Revolucionária e da corrente “Professores Pela Base” saudamos a energia e disposição de todas as merendeiras demonstrada sexta-feira e colocamos a disposição todas as nossas forças para que essa mobilização chegue à vitória. É preciso avançar com a organização, superando a burocracia que dirige o sindicato e está do lado da empresa, confiando em suas próprias forças as merendeiras podem vencer!

 Todo apoio a luta das merendeiras terceirizadas de Campinas!
 Pelo pagamento imediato dos salários atrasados!
 Pela efetivação sem concurso público de todas as merendeiras! Estabilidade já!


Depoimentos das merendeiras e familiares

“Eu apoio porque esta situação é uma vergonha. Elas trabalharam o ano inteiro, muitas pegam dois ônibus para trabalhar. Elas trabalharam o ano todo e chega no final do ano tem que desmarcar o natal, passar por essa vergonha, porque não receberam o salário. Acho que tem que apoiar porque o trabalho delas é muito importante para a escola”.

(A., filho e irmão de merendeiras terceirizadas, aluno da E.E.Dom Barreto)

“Quemos nosso direito, nosso dinheiro, nosso vale-transporte. Se não pagarem o que nos devem nós vamo parar a escola, vamo pra greve”

(L, trabalhadora de creche municipal)

“Meu nome é M, sou volante(trabalhadora rotativa) da EB, meu filho tem quatro anos e tem pressão alta, e essa merda não paga a gente. Queremos receber!”

“ Nosso 13º era pra receber dia 20, e caiu só agora dia 1º , e não recebemos as férias e o salário que não caiu. A gente trabalha doente pra não deixar as crianças sem merenda, e agora fica sem receber? Isso não é justo né. Nós temos o nosso compromisso e eles tem que ter o deles, por isso que a gente tá aqui. Chega final de ano, a gente conta com esse dinheiro, e não recebe?”

(trabalhadora de escola municipal)

Relato de Violência Policial em Barão Geraldo

Publico esse corajoso relato de um estudante de pós-graduação da Unicamp sobre os abusos cometidos pela PM em Barão Geraldo, Campinas (região onde está localizada a Unicamp). Se a polícia faz isso numa região majoritariamente de estudantes e classe média, imaginem o que esta instituição repressora e reacionária faz na periferia, nos morros e nas favelas. Fica aqui aberto o debate acerca do papel social da Polícia em nossa sociedade a partir deste relato e, neste sentido, recomendo o excelente artigo "Quem precisa de polícia" de Andre Augusto e Iuri Tonelo publicado no blog Casa de Estudos e Pesquisa Hermínio Sacchetta.

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Caros leitores, começo o ano com um relato que recebi de um amigo meu. Quis abrir uma exceção e publicar o este texto pois entendo que uma sociedade democrática é uma sociedade que, sobretudo, cobra seus direitos e fiscaliza as autoridades. Se estas ações são vistas como ameaças, é porque estamos longe da democracia e da civilidade.
RELATO SOBRE VIOLÊNCIA POLICIAL EM CAMPINAS
Por HENRIQUE PEREIRA MONTEIRO
03 de janeiro de 2012
"Ao longo do ano passado, o bairro em que moro no distrito de Barão Geraldo, em Campinas, esteve sob presença constante da Polícia Militar. Não demorou para eu e minha companheira Georgia Sarris começarmos a presenciar formas de abuso de autoridade, como abordagens humilhantes de adolescentes. Moramos perto de uma praça que é um dos pontos centrais de tais ações, cujo viés racial e de classe é conhecido. A repetição dos casos começou a nos preocupar. Com o intuito de mostrar a presença de moradores que não se conformariam com abusos, fui até os policiais durante uma batida no final de agosto.
Apresentei-me educadamente, perguntei do que se tratava e disse que ia permanecer no local para verificar se tudo iria transcorrer tranquilamente. Tal atitude, a de um simples cidadão comum observando os procedimentos de um agente público, algo que deveria ser banal em qualquer regime democrático, gerou imediatamente um turbilhão inacreditável de agressividade. Foi o bastante para que eu fosse intimidado de várias formas ao longo de mais de duas horas, com ameaças de prisão (ilegal) por não portar documento de identidade, por desacato, entre outros exemplos. Deixei claro que estava disposto a denunciar abusos e fiz críticas à estrutura autoritária da PM, mas sempre tratei os policiais da forma mais respeitosa possível. Entretanto, a questão não era de mais ou menos polidez. O problema, na verdade, é que, ao questionar diretamente a PM, atravessei uma fronteira social muito precisa: assim como os jovens pobres que frequentam (ou tentam frequentar) as praças de Barão Geraldo, eu já havia deixado de ser "cidadão" e me tornado um inimigo.
Depois disso, começou um processo de intimidação pessoal discreta, mas clara. Viaturas passando muito vagarosamente na minha porta, em frente à minha mesa no restaurante, faroletes na minha janela à noite, policiais me encarando em vários lugares do bairro etc. Houve outra batida, em frente à minha casa, que era nitidamente uma provocação, com um policial de braços cruzados, peito estufado, pernas abertas bem diante do meu portão. É claro que não fui lá.
No dia 29 de dezembro passado, nova batida na praça, desta vez envolvendo um vizinho. Não pude deixar de ir até o local, inclusive para apoiar minha vizinha, companheira de um dos rapazes detidos, que observava à distância. Quando os policiais disseram que iriam levá-los, nós nos aproximamos. Comecei a fazer as perguntas básicas: "Para onde serão levados? Sob qual acusação?" De novo, fui cercado por vários policiais e intimidado de forma truculenta. Provocações variadas se seguiram até que um dos policiais forçou a minha prisão, completamente arbitrária, por "desacato à autoridade". Mesmo depois, provocações e ameaças não pararam.
O interesse pessoal que tenho em divulgar esta história - preservar a minha segurança e a de minha companheira — já aponta também o seu evidente interesse público. A violência que sofri - até agora - é ínfima para os padrões de ação da Polícia Militar do Estado de São Paulo, como sabem os jovens das periferias, os militantes de movimentos sociais, os ativistas de direitos humanos. No entanto, ela é da mesma natureza e também serve como documento, ainda que em escala reduzida, de processos sociais que nos afetam a todos e devem ser combatidos. Quando se trata da higienização social das cidades, da criminalização do protesto, da expansão do autoritarismo e da policialização generalizada das relações sociais, nenhuma "escala" é pequena o bastante para ser desprezada."
HENRIQUE PEREIRA MONTEIRO
Professor, Doutorando em Filosofia pela FFLCH-USP.

Vídeo denunciando trabalho escravo em Campinas

Dando continuidade ao debate sobre trabalho ultra-precário e o trabalho escravo no Brasil, publico um vídeo-reportagem que postaram no Comentários do artigo "Desumanas condições na moradia operária da obra do Santander" que publiquei neste Blog no dia 29 de dezembro de 2011. O vídeo foi produzido pela "Repórter Brasil" (ONG), que há alguns anos vem denunciando o trabalho escravo no campo e na cidade, e pela jornalista Bianca Pyl.


É necessário que o cerco sanitário feito pela grande mídia sobre esse tema seja rompido através da propagação de matérias como essas pelas redes sociais, blogs e mídias independentes. É importante que a intelectualidade brasileira, que em nosso país tem um peso político e acesso aos grandes meios de comunicação, se coloquem ao lado desta campanha contra o trabalho (ultra)precário e o trabalho escravo, denunciando não apenas as péssimas condições de trabalho e o desrespeito aos direitos humanos, mas a este sistema capitalista. E, mais importante ainda, que as organizações de esquerda, como PSOL e PSTU, e as entidades sindicais e estudantis, se coloquem à frente desta campanha. Aqui em Campinas, um dos pólos de trabalho escravo na construção civil, faria uma grande diferença se os sindicatos de metalúrgicos e químicos saíssem de sua letargia corporativa e denunciassem esses fatos.