Mostrando postagens com marcador Ensino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ensino. Mostrar todas as postagens

"O que você sugeriria para melhoria do ensino de sociologia?"

Este post é apenas uma resposta que ao texto de Ana Maria Modesto, publicado em seu Blog Mente Social, ao qual termina com a seguinte pergunta:


O que você sugeriria para melhoria do ensino de sociologia?

Segue minha resposta:


Em minha opinião, tomando a questão colocada por você, não se trata apenas de uma questão de formação/qualificação dos professores, e também não se resume a uma melhora na infraestrutura das escolas e/ou nas carreiras dos professores (condição fundamental e a priori para uma melhora substancial da educação pública brasileira). Trata-se também, e fundamentalmente, de assumir uma postura crítica, emancipatória, frente a realidade social, ou seja, enquanto educador, assumir a posição de lutar pela revolução social. Com isso não quero reforçar uma visão sindicalista (muito presente na esquerda brasileira, infelizmente) de que só a luta vale, em detrimento da sala de aula ou do conhecimento. Pelo contrário, quero reforçar o caráter político do educador, portanto, o caráter ideológico de sua função. Enquanto tal caberá a ele tomar uma decisão: ou reproduzirá as falsas realidades propagadas pela ideologia dominante, que mascara a realidade objetiva com suas teorias apologéticas e contemplativas, ou assumirá o papel de desmitificar a realidade, desvendando suas formas fetichizadas. Para esta segunda postura, a única teoria que foi capaz de compreender os mecanismos da realidade e nos apresentar um método (dialético) de compreensão e praxis (superação) foi o marxismo. O professor revolucionário, marxista, rejeita qualquer forma dogmática, típicas de manuais, justamente porque a realidade não é assim; ele, em suas aulas, se preocupa em adotar um método que permita a que os seus próprios alunos desvendem, com suas próprias capacidades cognitivas, a realidade em que vive. Desta forma os alunos se auto-conhecem e conhecem o mundo, ou seja, tomam consciência (pois compreendem os mecanismos de funcionamento da realidade objetiva) e podem optar pela luta contra a opressão e exploração que são submetidos. O desinteresse generalizado dos alunos é apenas a manifestação no plano individual do fracasso da escola burguesa (e, particularmente, da escola pública brasileira), com seus métodos repressivos, de um conhecimento compartimentado e contemplativo; de uma escola desconectada da vida (o que torna todo o conhecimento adquirido uma abstração sem sentido para os alunos; e o que nos faz entender porque impera entre eles uma visão instrumental deste conhecimento: “se não serve para isso ou aquilo então o conhecimento ou a disciplina não é válido”). Portanto, assumir a postura ao qual eu estou defendendo aqui é assumir uma postura de luta visceral contra o modo em que está organizada a escola e a educação, já que esta é funcional à sociedade capitalista.

Universidade Fast Food e a necessidade de sua crítica radical

Por Ricardo Festi


O slow Movement surgiu depois de um protesto contra a abertura de um McDonald´s na Prazza di Spagna em Roma, no ano de 1986. Este foi o marco inicial do Slow Food, um movimento que defende o prazer de comer contra a lógica taylorista-fordista das grandes redes de restaurantes que se proliferaram no mundo inteiro depois da Segunda Guerra Mundial. O protesto e o movimento foram uma manifestação singular de um movimento muito mais amplo e heterogêneo contra a chamada “globalização”. Da comida o Slow Movement alçou voos para áreas diferentes, na defesa de um estilo de vida com mais sentido e conteúdo (mesmo que ainda não se tenha claro o que seria isso). Dentre eles estão o Slow Reading (por uma leitura lenta e concentrada dos textos, sem os incômodos e pausas das mensagens que chegam pelos celulares, as conversas pelos Chats, o Twiter, os emails, etc.) e o Slow Science, que laçou um manifesto contra a universidade fast-food, isto é, contra a lógica da produtividade cada vez mais presente no meio acadêmico. Defendem:

 
A ciência lenta foi praticamente a única ciência concebível por centenas de anos, hoje, argumentamos, ela merece ser revivida e necessita proteção. A sociedade deve dar aos cientistas o tempo necessário, mas mais importante, os cientistas devem fazer a seu ritmo. (...) Precisamos de tempo para pensar. Precisamos de tempo para digerir.**

Não deixa de ser uma reação progressista de uma camada da comunidade acadêmica contra as mudanças ocorridas nas ultimas décadas nas universidades e no meio intelectual. Entretanto, se suas críticas se centrarem apenas na exteriorização do fenômeno, não conseguirá atingir seu objetivo central: resgatar uma verdadeira forma de pesquisar e conceber a ciência (isso é discutível; o que concordamos com eles é que a forma de hoje não é a melhor). Falta-lhes a crítica radical (na raiz) das reais causas deste fenômeno: a expansão da lógica de mercado para uma área que antes não era gerida diretamente pelo mercado.

Podemos encontrar uma primeira explicação para isso em Zizek (2012):

Na União Europeia, a reforma do ensino superior pelo processo de Bolonha é um grande ataque conjunto ao que Kant chamou de “uso público da razão”. A ideia subjacente dessa reforma, a ânsia de subordinar o ensino superior às necessidades da sociedade, de torná-la útil aos problemas concretos que enfrentamos, visa produzir opiniões especializadas para resolver problemas apresentados pelos agentes sociais. Aqui, o que acaba é a verdadeira missão do pensamento: não só oferecer soluções a problemas apresentados pela ‘sociedade’ (o Estado e o capital), mas também refletir sobre a própria forma assumida por esses ´problemas´, reformá-los, discernir um problema no próprio modo como percebemos esses problemas. A redução do ensino superior à tarefa de produzir conhecimento especializado socialmente útil é a forma paradigmática do ´uso privado da razão´ no capitalismo global contemporâneo” (Zizek, 2012, p. 298).

É um fato que as reformas (contrarreformas, na verdade) ocorridas nos sistemas universitários nas ultimas décadas produziram mudanças importantes. Entretanto, entendo que essas mudanças aprofundaram um processo que teve início há décadas junto a expansão dos sistemas universitários (ampliação do número de alunos matriculados e de docentes) nos países de economia capitalista avançada. Este processo, segundo Russel Jacoby (1990), produziu a uma institucionalização da intelectualidade norte-americana (e do mundo inteiro), agora estável em seu emprego (e não mais dependentes de pequenas publicações para expor suas ideias), mas atolada por afazeres acadêmicos e burocráticos. A vida do intelectual acadêmico tornou-se enfadonha e monótona. Da boêmia, dos bares, do contato com artistas e putas (e para alguns, com o movimento operário) – ou seja, com a vida -, o ambiente social passou a ser as salas de aula, as palestras, as reuniões de departamento, as disputas por publicações, etc.

O processo ao qual reage o Slow Science é a exteriorização, na forma mais cruel e descontrolada, de algo mais antigo que a própria “globalização”. Trata-se de uma adequação (adestração e controle) da intelectualidade (tentemos imaginar Marx como um professor universitário hoje: impossível!) a serviço dos ditames do capital. Quando este muda, as suas formas de controle também mudam. O que torna esse manifesto progressista é o alerta que faz ao que vem acontecendo na produção predominante da ciência e do pensamento. Numa época de crise e decadência do modo de produção capitalista, que se mostra incapaz de (re)produzir a mais-valia por sua própria lógica (o que os liberais chamam de a “mão invisível”), a ação (intervenção) do Estado para garanti-la torna-se fundamental. Numa sociedade iludida pela democracia burguesa, as mentes pensantes (e críticas) não podem ser caladas com o cárcere. Para isso, métodos mais eficazes foram inventados: avaliações de produtividades, aumento da carga burocrática, cooptação do intelectual com salários relativamente altos, etc.

A resistência e a crítica radical são os primeiros passos, que devem vir acompanhadas por um movimento real e positivo de transformação da sociedade global.

Referências:
JACOBY, Russel. “Os últimos intelectuais: a cultura americana na era da academia”. São Paulo: Trajetória Cultural, 1990.
ZIZEK, Slavoj. “Vivendo no fim dos tempos”. São Paulo: Ed. Boitempo, 2012.

Surge movimento pró-Sociedade Brasileira de Ensino de Sociologia

Desde que a Sociologia tornou-se uma disciplina obrigatória no currículo do ensino médio, os professores e profissionais desta área vêm realizando uma batalha dispersa e fragmentada, em seus Estados ou escolas, em defesa da implementação efetiva e/ou manutenção da Sociologia. Além disso, com a aprovação da obrigatoriedade, abriram-se novos debates acerca dos conteúdos programáticos, dos métodos e das práticas pedagógicas, dos livros didáticos e das condições de trabalho do professor. Essas lutas e reflexões demandam a necessidade de uma articulação nacional entre professores do ensino médio, docentes universitários ou pesquisadores e estudantes de licenciatura. Foi nesse sentido que um grupo de acadêmicos e professores impulsionaram um Manifesto em prol da criação de uma associação nacional de ensino de sociologia (ciências sociais). Ela já conta com um dinâmico e-grupo, responsável pela articulação nacional nesta fase pré-associação, e com o apoio de mais de 300 pessoas (dezembro de 2011).

Aos companheir@s interessados em participar desta iniciativa, reproduzo logo abaixo o Manifesto, com o link para quem quiser assina-lo.

Manifesto pró-criação da Sociedade Brasileira de Ensino de Ciências Sociais-Sociologia – SBECS-Soc

Com as crescentes demandas relacionadas com o ensino das Ciências Sociais em geral e da Sociologia no Ensino Médio, resolvemos propor a criação da Sociedade Brasileira de Ensino de Ciências Sociais-Sociologia - SBECS-Soc - (nome e sigla provisórios).


O propósito da SBECS-Soc é agregar professores da educação básica aqueles das universidades que estejam interessados ou preocupados com o ensino das ciências sociais/sociologia, em todos os níveis educacionais. Além de criar canais de comunicação entre estes professores propõe-se realizar uma ponte entre ensino básico e a universidade.


Parte-se da ideia que não há nenhuma organização brasileira que trate especificamente desta questão e ao mesmo tempo integre todos os professores de todos os níveis educacionais da área. Por isso, a SBECS-Soc visa a integrar como seus associados professores do ensino básico, dos cursos de graduação e pós-graduação em ciências sociais e afins, e também em caráter temporário, até que se tornem professores, os graduandos e pós-graduandos nestas áreas.


Para isso propõe-se montar uma estrutura administrativa pequena e ágil no nível nacional e criar Unidades Regionais, que tenham maior presença na vida dos professores e possam atuar mais diretamente em relação às questões que surgirem. Em muitos Estados será possível criar mais de uma Unidade Regional, devido ao número de universidades e escolas do ensino médio e mesmo levando em conta a diversidade regional e a questão espacial. A ideia é que sejam autônomas, que possam atuar com muita independência, não subordinadas a um controle nacional.


Como atividades iniciais, em termos nacionais, propõem-se:
- Manter um site (ou portal) onde todos possam se referenciar ir e postar suas questões, discutir, consultar materiais de apoio, etc.
- Criar uma revista (eletrônica) para tornar públicas as produções relacionadas com o ensino das ciências sociais e sociologia.
- Propiciar apoio logístico de órgãos estaduais e federais para a realização de eventos e outros encaminhamentos que dependam financiamento.
- Manter relação com a demais Sociedades/Associações científicas (SBS-ABCP-ABAS) e outras de Ensino (Filosofia, Geografia, História, etc. ), bem como com os Sindicatos em nível local, regional ou nacional, mantendo uma atuação complementar a estas organizações.


Com estas ideias iniciais propomos a criação da Sociedade Brasileira de Ensino de CS-Sociologia e os que desejarem associar-se a esta organização que está se constituindo podem faze-lo integrando-se no grupo: sociedade-brasileira-de-ensino-de-cs-sociologia@googlegroups.com. Posteriormente, quando for criada juridicamente a SBECS-Soc, todos os que agora aderirem serão considerados associados fundadores.

Nome – Cidade/Estado
Flávio Sarandy – Rio de Janeiro/RJ
Luiz Fernandes – Rio de Janeiro/RJ
Rodrigo Rosistolato – Rio de Janeiro/RJ
André Videira de Figueiredo – Rio de Janeiro/RJ
Ana Laudelina F. Gomes – Natal/RN
José Organista – São Gonçalo/RJ
Nelson D. Tomazi – Londrina/PR
Amaury Cesar Moraes – São Paulo/SP
Gustavo B. Alves – Toledo/PR
Osmir Dombrowski – Toledo/PR
Silvio A. Colognese – Toledo/PR
Miguel Caripuna – Abaetetuba/PA
Adélia Miglievich – Vitória/ES
Tania Elias Magno da Silva – Aracaju/SE
Simone Meucci – Curitiba/PR
Alexandro Trindade – Curitiba/PR
Luiza Helena Pereira – Porto Alegre/RS
Ricardo Cesar R. da Costa – São Gonçalo/RJ
Zuleika Bueno – Maringá/PR
Andréa Barbosa Osório – Rio de Janeiro/RJ
Daniela Alves – Viçosa/MG
Afrânio Oliveira – Rio de Janeiro/RJ
Naylane Mendonça – Rio de Janeiro/RJ
Geovana Tabachi – Campos dos Goytacazes/RJ
George Coutinho – Campos dos Goytacazes/RJ


Para assinar esse manifesto, clique aqui.

Para fazer parte do e-grupo, clique aqui.

Projeto - CINEMA E SOCIEDADE

Este projeto "extracurricular" foi elaborado no final de 2010 para ser trabalho durante o ano letivo de 2011. Quem tiver interesse pode aproveitá-lo integral ou parcialmente. Agradeceria se os leitores fizessem comentários sobre este projeto, principalmente se resolverem usa-lo para alguma atividade em suas escolas.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Projeto: Cinema e Sociedade: a representação do Brasil nas telas: o Grande Sertão


O objetivo principal do projeto “Cinema e Sociedade” é desenvolver entre os muros da escola uma reflexão crítica sobre o cinema e a sociedade brasileira. Para isso, trabalhando com temáticas interdisciplinares, pretendemos desenvolver determinadas competências e habilidades com os alunos participantes do projeto, promovendo a criação de um grupo de estudos, responsável pela manutenção de um blog, assim como da exibição de filmes para a comunidade escolar.
[Para le-lo na íntegra, clique no link do post]

Nova seção no Blog: ENSINO

Estou estreando uma nova seção intitulada "Ensino", em substituição a antiga seção "Cotidiano", que organizava a publicação de algumas reflexões contingenciais acerca da vida cotidiana. Mas, na prática, acabei postando apenas dois pequenos textos, que muito bem poderiam ser enquadrados nas outras seções. A criação de "Ensino" é uma maneira de organizar no Blog as matérias que postei sobre educação, prática de ensino ou atividades escolares, já que as estatísticas do Blog demonstram que esses são os assuntos mais visitado. Neste sentido, pretendemos coloca-los em destaque em nosso Blog, em meio a reflexão sobre a implementação da Sociologia no Ensino Médio.

Filmes sobre educação

Para a discussão sobre educação - em especial, a educação brasileira - há vários filmes interessantes para assistirmos. Neste post, recomendarei apenas dois que utilizarei em minhas aulas. O primeiro, "Pro dia nascer feliz" (2007), é um documentário que problematiza a educação brasileira através de vários relatos de professores e alunos, confrontando diferentes realidades. O segundo, "Entre os muros da escola" (2008), baseado no livro homônimo do francês François Marin, reconstroi a realidade de uma escola pública na França e os diversos conflitos.

A riqueza destes filmes está em sua preocupação por retratar de forma não romântica o tema. Diferente de vários filmes hollywoodianos que seguem aquele velho clichê de um professor, ou diretor, que chega e salva os seus alunos, seja da violência do meio social em que estão inseridos, como em "Escritores da Liberdade" (2007), seja do tradicionalismo e da repressão, como em "Sociedade dos poetas mortos" (1989).

Ficam aí estas sugestões.


"Pro dia nascer feliz" (2007) de Joao Jardim



"Entre os muros da escola" (2008) de Laurent Cantet

Atividade de Socioligia sobre Educação

Título: “ETECAP em foco”



Alunos dos 2os A, B, C, D e E.



Objetivos: utilizar os conhecimentos adquiridos em sociologia (e outras disciplinas) para analisar criticamente a nossa própria escola. Trabalhar com pesquisa quantitativa através de um questionário para um determinado público e analisar o seu resultado. Escrever um trabalho analítico sobre um determinado objeto da realidade, no caso, a escola.


Grupos de 5 a 6 estudantes


Metodologia e Procedimentos:

- Elaborar um questionário para ser aplicado nos primeiros e terceiros anos do Ensino Médio. Cada sala aplicará este questionário nas respectivas salas com a mesma letra que a sua. Por exemplo, os alunos do 2C formularão um questionário para o 1º C e o 3º C. As perguntas serão elaboradas pelos próprios alunos (grupos) com ajuda do professor.

- Analisar os resultados dos questionários a luz das teorias pedagógicas que estudamos em Sociologia (ou outras que os alunos venham a pesquisar).

- Contextualizar nossa escola no universo da educação brasileira e mundial.

- Ensaio Fotográfico


Resultados:

- Dados dos questionários quantificados

- Trabalho escrito e apresentado para a sala

- Blog da sala para publicação dos resultados



Datas:

- 28 e 29/set – Filme: “Pro dia nascer feliz”
- 06 e 07/out – elaboração do questionário
- 26/out – aplicação do questionário
- 27/out – mensuração das respostas do questionário

- 23 e 24/nov – entrega dos trabalhos e apresentação/debate em sala



PS: O blog poderá ser elaborado junto ao professor de SIC, caso ele tenha acordo.


--------------------------------------------------------------------------------------------------------

Para aqueles que tem acesso ao ClickIdeia, há uma atividade proposta por mim em:
http://www.clickideia.com.br/jsp/exibe.action?id=43982

ATIVIDADE SOBRE ETNOCENTRISMO

Atividade de sociologia para alunos dos 2os anos da ETECAP e Bento Quirino

Há uma outra proposta, publicada em (Socio)lizando.

Os alunos deverão ler o texto abaixo retirado da intenet e fazer a atividade proposta.

É uma visão do mundo onde o “nosso grupo” é tomado como centro de tudo e todos os outros são pensados e sentidos através dos nossos próprios valores e nossas definições do que é existência. No plano intelectual, pode ser visto como a dificuldade de pensarmos a diferença; no plano afetivo, como sentimentos de estranheza, medo, hostilidade, etc. O etnocentrismo é a procura de sabermos os mecanismos, as formas, os caminhos e as razões pelos quais tantas e tão profundas distorções se perpetuam nas emoções, pensamentos, imagens e representações que fazemos da vida daqueles que são diferentes de nós. De um lado, conhecemos um grupo do “eu”, o “nosso” grupo, que come igual, veste igual, gosta de coisas parecidas, ou seja, um reflexo de nós. Depois, então, nos deparamos com um grupo diferente, o grupo do “outro”, que às vezes, nem sequer faz coisas como as nossas ou quando as faz é de forma tal que não reconhecemos como possíveis. E, mais grave ainda, este “outro” também sobrevive à sua maneira, gosta dela, também está no mundo e ainda que diferente, também existe. O grupo do “outro” fica como sendo engraçado, absurdo, anormal ou ininteligível. E a sociedade do “eu” é a melhor, a superior. O “outro” é o “aquém ou o além, nunca o “igual” ao “eu”“. Privilegiamos ambos as funções estéticas, ornamentais, decorativas de objetos que, na cultura do “outro” desempenhavam funções que seriam principalmente técnicas. O etnocentrismo passa por um julgamento de valor de cultura do “outro” nos termos da cultura do grupo do “eu”. Um famoso cientista do início do século, Herman von lhering, justificava o extermínio dos índios Caianguangue por serem um empecilho ao desenvolvimento e à colonização das regiões do sertão que eles habitavam. Tanto no presente como no passado, tanto aqui como em vários lugares, a lógica do extermínio regulou infinitas vezes, as relações entre a chamada “civilização ocidental” e as sociedades tribais. Cada um traduz nos termos de sua própria cultura o significado dos objetos cujo sentido original é forjado na cultura do “outro”. Ao “outro” negamos aquele mínimo de autonomia necessária para falar de si mesmo. E por não poderem dizer algo de si mesmos, acabam representados pela ótica etnocêntrica e segundo as dinâmicas ideológicas de determinados momentos. Assim são as sutilezas, violências, persistências do que chamamos etnocentrismo. Os exemplos se multiplicam no cotidiano. A “indústria cultural” está freqüentemente fornecendo exemplos de etnocentrismo. Rotulamos e aplicamos estereótipos através dos quais nos guiamos para o confronto cotidiano com a diferença. Como as idéias etnocêntricas que temos sobre as “mulheres”, os “negros”, os “empregados”, os “paraíbas de obras”, os “colunáveis, entre outros”. Assim, como o “outro” é alguém calado, a quem não é permitido dizer de si mesmo, mera imagem sem voz, manipulado de acordo com desejos ideológicos, o índio é, para o livro didático, apenas uma forma vazia que empresta sentido no mundo dos brancos. Em outras palavras, o índio é “alugado” na História do Brasil para aparecer em diversos papéis. Como também ocorreu na colonização do Brasil por Portugal. Existem idéias que se contrapõem ao etnocentrismo. Uma das mais importantes é a da relativização. A Antropologia sempre soube conhecer a diferença, não como ameaça a ser destruída, mas como alternativa a ser preservada, seria uma grande contribuição ao patrimônio de esperanças da humanidade; O etnocentrismo se conjuga com a lógica do progresso, com a ideologia da conquista, com o desejo da riqueza, com a crença num estilo de vida que exclui a diferença. Mas, a “diferença” é generosa. Ela é o contraste e a possibilidade de escolha. O objetivo de qualquer sistema de produção é fazer subsistir os indivíduos que dele fazem parte. Esta imagem de uma sociedade esmagada por uma incapacidade de maior produção é que se encontra por trás da noção de economia de subsistência se traduz, neste sentido, em economia de sobrevivência ou, mais diretamente, de miséria. Aqui podemos Ter o exemplo do significado ao respeito aos dados etnográficos, dados obtidos pelo trabalho de campo, que podem transformar a teoria antropológica. Para uma sociedade – a nossa – que tem o objetivo da acumulação sistemática, uma outra – a deles -, que não pratica esta acumulação, seria necessariamente pobre e miserável. Perceber que as sociedades tribais não acumulavam, não porque não podem, mas porque não querem, porque fizeram uma opção diferente, é perceber o “outro” na sua autonomia. Quaisquer que sejam as possibilidades da antropologia ela, ao menos, livrou-se, definitivamente de confundir a singularidade cultural da sociedade do “eu” com todas as formas possíveis de existência do “outro”. Enfim, o etnocentrismo é exorcizado. O mundo no qual a Antropologia pense se torna complexo e relativo. Chegamos ao ponto de voltar dessa viagem. A ida ao “outro” se faz alternativa para o “eu”.

Cada grupo deverá refletir sobre o conteúdo do texto acima e escrever um pequeno texto relatando casos de nosso cotidiano em que o etnocentrismo se manifesta. Poderá usar recortes de jornais; exemplos cotidianos vividos pelos alunos dentro e fora da escola; etc. Os resultados serão apresentados para a sala de aula. Bom trabalho a todos!

INDICAÇÃO DE LIVROS DIDÁTICOS DE SOCIOLOGIA

Muitos alunos e professores me solicitam referências de livros didáticos de Sociologia para aprofundarem os seus estudos ou seriem de auxiliar em suas aulas. Infelizmente, por ser uma disciplina na grade curricular, há poucos livros didáticos bons para serem adotados em sala de aula.

Num outro artigo analisarei os livros didáticos, pois os considero muito parecidos, além de deixarem de fora questões que considero centrais, como é o caso do debate sobre a questão negra no Brasil. Logo abaixo faço apenas alguns comentários.

Eu recomendo, para aqueles que podem comprar, o livro do Prof. Nelson Tomazi "Sociologia para o Ensino Médio" da editora Saraiva e o recente livro que saiu pela Fundação Getúlio Vargas e Editora do Brasil "Tempos modernos, tempos de sociologia" de Helena Bomeny e Bianca Freire-Medeiros. O primeiro foi o que melhor desenvolver os conteúdos programáticos sugeridos nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Nele não encontramos nenhuma problema conceitual, apesar do autor em alguns momentos cair numa linguagem acadêmica, distante do mundo dos nossos alunos. As propostas de atividade são boas e criativas. Já o segundo livro acaba cometendo um erro fundamental em sua proposta geral: o divide entre uma "sociologia geral" e uma "sociologia do Brasil". Isso ocorre porque os autores não conseguem dar conta de trabalhar todos os conteúdos fundamentais da Sociologia em torno do filme "Tempos Modernos" de Charles Chaplin. Apenas os "conceitos" gerais são trabalhados em torno do filme. Isso seria óbvio: como encaixar neste filme o conflito de Canudos, fundamental para compreender o Brasil, e por fora de qualquer conceito de modernidade formulado pelos clássicos?












Há também alternativas mais baratas e boas, como o livro público didático de Sociologia adotado na rede pública do Estado do Paraná.

Para os professores, há um livro com reflexões sobre o ensino de Sociologia publicado pela SBS.

Por fim, ainda para os professores, estou construindo uma página com indicações de artigos que se propõe a refletir o ensino de Sociologia em meu blog (Socio)lizando.