Os desafios da greve

Os desafios da greve no Centro Paula Souza

A greve no Centro Paula Souza teve início nesta sexta-feira, 13 de maio. Em São Paulo, na sede da Superintendencia, fez-se um importante ato com aproximadamente 500 pessoas, dentre professores, tecnico-administrativos e estudantes das ETECs e FATECs. O ato, que foi um dos maiores desde a fundação do Sindicato (o que indica que entramos na greve com muito fôlego para lutar), poderia ter sido ainda maior se não fosse a distância entre as cidades (o Centro é formado por 247 unidades espalhadas pela capital, litoral e interior) e pelo "ônibus" de Campinas que deixou na mão 40 pessoas (na ultima hora descobrimos que não o teríamos mais). Mas tudo bem, mesmo assim três carros foram lotados representando a ETECAP e o Bento Quirino.

O importante é que neste ato estavam presentes mais de 70 unidades, através de seus representantes, todos dispostos a militar pela greve! Serão estes os responsáveis por manter e ampliar a greve. O sentimento de raiva e indignação da categoria, principalmente depois que o governador Alckimin anunciou um pífio reajuste de 11%, muito abaixo das perdas que tivemos nestes ultimos anos (estamos revindicando 82,735% para os docentes (reajuste + recomposição) e 97,558% (reajuste + recomposição) para os funcionários), está se revertendo em energia para resistir a todas as pressões adversas a nossa mobilização. E estas são muitas!

Hoje, o principal empecilho para o desenvolvimento pleno de nossa greve está no interior de nossa própria categoria. Está no medo por parte de alguns companheiros, pois receiam  perder os seus "benefícios". Está no assédio moral que muitos recebem das direções e coordenações. Está no individualismo. E, principalmente, na falta de esperança de que a greve poderá ser vitoriosa. Um ceticismo que se consolidou nestes ultimos anos em vários setores de trabalhadores fruto da ideologia neoliberal, que exarcebou o individualismo, mas também atacou os intrumentos organizativos (como os sindicatos) e de luta da classe trabalhadora (como as greves, as manifestações de rua, a militancia em si).

O resultado disso é a hegemonia de um pensamento estreito, contingencial, momentaneo, imediato, localista, corporativo... uma mente estreita, com uma visão curta. Não se pensa na greve enquanto um catalisador de inúmeras novas possibilidades (organizativas, pedagógicas e políticas), mas enquanto um instrumento com objetivos pragmáticos, de preferencia que não incomode muito.

Alguns tentam inventar a roda da história, chamam a greve de instrumento arcaico e dizem ter a solução. Mas na verdade, suas críticas aos nossos instrumentos de luta são tão velhas quanto os próprios instrumentos. Esbravejam como se fossem velhos sábios contra os novos empolgados pela greve; mas se esquecem que estes novos estudam a história de luta de nossa classe. E este história nos mostra que nenhuma conquista foi obtida sem luta! E a luta requer assumir riscos e ter coragem!

Contra todo este pensamento típico da condição pós-moderna, resta-nos o debate (o confronto de ideias, a disputa pela verdade, a comparação com as vitórias do presente e do passado) e a própria luta. Não se pode afirmar que isso nos levará a uma vitória no final do processo, pois nele há inúmeras determinates em jogo. Mas se pode afirmar que sem estas lutas (teórica, política e prática), seremos com certeza derrotados!

Para maiores informações sobre o ato do dia 13/05, ver: http://www.sinteps.org.br/news0261.html

1 comentários:

Adair Neto disse...

Espero que os professores e alunos que são anti-greve abram os olhos e nos ajudem nessa causa tão nobre.